LabCom forma investigadores brasileiros para monitorizar a desinformação

O LabCom – Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI) realizou uma ação de formação destinada a docentes e investigadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), no Brasil, que irão monitorizar a desinformação durante as eleições brasileiras de 2026. A iniciativa decorreu no âmbito do ODEPOL – Observatório de Desinformação Política e integra a estratégia de internacionalização da unidade de investigação da UBI.

A formação incidiu sobre a metodologia desenvolvida pelo ODEPOL para identificar, classificar e analisar conteúdos desinformativos publicados nas redes sociais por atores institucionais. O objetivo foi capacitar a equipa da UFPA para aplicar um modelo já utilizado no acompanhamento de três processos eleitorais em Portugal. A sessão decorreu remotamente e foi ministrada por Branco Di Fátima, investigador do LabCom e um dos coordenadores do ODEPOL.

Segundo Ana Lúcia Prado, professora da UFPA e coordenadora da equipa brasileira, a formação permitiu conhecer em detalhe a metodologia do ODEPOL, incluindo os procedimentos de recolha, validação e classificação dos dados. “A equipa da UFPA aplicará agora esta metodologia para monitorizar a circulação de conteúdos desinformativos. O objetivo é produzir dados comparáveis entre Portugal e o Brasil, reforçando uma análise internacional sobre a desinformação”, explica.

As eleições brasileiras de 2026 mobilizarão mais de 150 milhões de eleitores para a escolha do Presidente da República, dos governadores, senadores e deputados. A primeira volta está marcada para 4 de outubro e, caso nenhum candidato à Presidência da República ou aos governos estaduais obtenha a maioria absoluta dos votos válidos, a segunda volta será a 25 de outubro. O processo eleitoral decorre num contexto de polarização política, em que o debate público é marcado pela circulação de desinformação nas plataformas digitais.

O ODEPOL é uma estrutura de investigação fundada em 2025 no LabCom UBI. Tem como propósito mapear, analisar e caracterizar os processos de desinformação, com especial atenção ao impacto de diferentes atores sociais na esfera pública digital. O observatório desenvolve um trabalho científico permanente, sem fins lucrativos, com financiamento público e privado, recorrendo a um conjunto de ferramentas concebidas para esse propósito.