O LabCom – Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI) realizou, no dia 10 de agosto, uma ação de formação dirigida a docentes e investigadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no Brasil, que irão monitorizar a desinformação durante as eleições brasileiras de 2026. A iniciativa decorreu em formato remoto, no âmbito do ODEPOL – Observatório de Desinformação Política.
A formação incidiu sobre a metodologia desenvolvida pelo ODEPOL para identificar, classificar e analisar conteúdos desinformativos publicados nas redes sociais por atores políticos institucionais. A sessão foi ministrada por Branco Di Fátima, investigador do LabCom. O objetivo foi capacitar a equipa da Unesp para aplicar o método ODEPOL, adaptando-o ao contexto da comunicação política brasileira.
Para a coordenadora da equipa da Unesp, a professora Liliane de Lucena Ito, a parceria com o LabCom permite partir de uma metodologia já consolidada. “Para o nosso projeto, que tem por objetivo monitorizar a desinformação nas Eleições Presidenciais, a parceria com o LabCom é essencial, uma vez que nos oferece o método desenvolvido pelo ODEPOL. Assim, aproveitamos um modus operandi muito bem-sucedido para o adaptar às nossas necessidades”, explica.
As eleições brasileiras deste ano mobilizarão mais de 150 milhões de eleitores para a escolha do Presidente da República, dos governadores, senadores e deputados. A primeira volta está marcada para 4 de outubro e, caso nenhum candidato à Presidência da República ou aos governos estaduais obtenha a maioria absoluta dos votos válidos, a segunda volta será a 25 de outubro. O processo eleitoral decorre num contexto de polarização política, em que o debate público é marcado pela circulação de desinformação nas plataformas digitais.
O ODEPOL é uma estrutura de investigação fundada em 2025 no LabCom. Tem como propósito mapear, analisar e caracterizar os processos de desinformação, com especial atenção ao impacto de diferentes atores políticos institucionais na esfera pública digital. O método ODEPOL já foi apresentada em ações de formação dirigidas a equipas de universidades brasileiras, colombianas e portuguesas, permitindo a criação de redes de colaboração científica para o estudo da desinformação.