Os piratas, a Internet e a política
Os sucessos recentes do Partido Pirata na Alemanha, ainda que possam ser vistos como um fenómeno passageiro, são indícios da transformação política provocada pela revolução digital. O preâmbulo ao seu programa enuncia os enormes desafios e ameaças que a revolução digital coloca à opinião pública, às legislações nacionais e aos próprios indivíduos. Nada menos se encontra em perigo do que a dignidade e a liberdade do homem, ao mesmo tempo que diminuem as possibilidades de controlar os processos sociais e políticos desencadeados por essa revolução. A globalização do saber e da cultura mediante a digitalização e a Internet põe em cheque as normas legais e económicas por que se regiam até à data. Não é por acaso que respostas falsas a estes desafios levaram a uma sociedade totalitária e policial. O medo do terrorismo internacional levou ao sacrifício da liberdade em nome da segurança.
O terceiro parágrafo do preâmbulo enuncia claramente o cerne do seu programa: "A autodeterminação informacional, o livre acesso ao saber e à cultura e a preservação da esfera privada são os pilares da futura sociedade da informação. Unicamente sobre esses pilares se pode construir uma ordem democrática, socialmente justa e livre."
Pode-se acusar o Partido Pirata de ser um partido de uma causa apenas, de defesa da liberdade de informação e da privacidade na Internet, mas a mesma acusação se fez ao Partido dos Verdes no início da década de oitenta, por se centrar apenas na defesa do meio ambiente. Hoje o Partido dos Verdes é determinante na política alemã; pode ser que o Partido Pirata se torne também uma força política determinante dos próximos tempos.
A liberdade ilimitada à cópia que os Piratas defendem pode parecer demasiado ousada, mas a limitação do acesso ao saber e à cultura em nome de interesses económicos é imoral, pois constitui um obstáculo ao uso legítimo de obras, cria um controlo inaceitável e um policiamento constante sobre os utilizadores.
António Fidalgo, Diretor do LabCom
O terceiro parágrafo do preâmbulo enuncia claramente o cerne do seu programa: "A autodeterminação informacional, o livre acesso ao saber e à cultura e a preservação da esfera privada são os pilares da futura sociedade da informação. Unicamente sobre esses pilares se pode construir uma ordem democrática, socialmente justa e livre."
Pode-se acusar o Partido Pirata de ser um partido de uma causa apenas, de defesa da liberdade de informação e da privacidade na Internet, mas a mesma acusação se fez ao Partido dos Verdes no início da década de oitenta, por se centrar apenas na defesa do meio ambiente. Hoje o Partido dos Verdes é determinante na política alemã; pode ser que o Partido Pirata se torne também uma força política determinante dos próximos tempos.
A liberdade ilimitada à cópia que os Piratas defendem pode parecer demasiado ousada, mas a limitação do acesso ao saber e à cultura em nome de interesses económicos é imoral, pois constitui um obstáculo ao uso legítimo de obras, cria um controlo inaceitável e um policiamento constante sobre os utilizadores.
António Fidalgo, Diretor do LabCom





